O ócio

Acordei pensando na teoria do Domenico De Masi. Aquele italiano simpático que fala do Ócio criativo. Juro que tento todos os dias começar a buscar esse aprendizado. Tenho até o livro dele… li e reli… Mas você tem que concordar comigo… aprendemos a teoria e na prática é completamente diferente…

 

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Profissões do amanhã

 

Nos últimos 20 anos, talvez nenhuma atividade tenha sido tão afetada pelo impacto das novas tecnologias quanto o jornalismo. Em menos de duas décadas, a profissão passou por transformações profundas, que deram mais agilidade e rapidez ao trabalho, estreitaram os laços com o público e criaram uma categoria pouco populosa no meio até o início dos anos 1990: os freelancers, profissionais que prestam serviço de casa, não precisam cumprir horário em redações e podem trabalhar para quantos patrões quiserem – ou puderem.

 

Jornalista desde 1967, Ruy Castro foi um dos primeiros profissionais a deixar a redação para escrever em casa. Em 1986, quando as facilidades de hoje ainda estavam apenas nos livros de ficção científica, ele virou patrão de si mesmo. “Meu último emprego foi naVejinha-SP, na qual fazia a coluna Terraço Paulistano. Saí em dezembro de 1986, avisando que ia para casa esperar o telefone tocar [alguém pedir uma colaboração]. O telefone tocou e nunca mais parou”, diz o escritor.

 

O jornalismo é apenas um exemplo de como a tecnologia, em especial a internet, passou a ser de fato a mais poderosa alavanca de transformação econômica e social do planeta. Em 2005, Ethevaldo Siqueira lançou 2015, como viveremos (esgotado), um compêndio acerca do futuro que, entre outras coisas, prospectava a respeito do que o autor chamava de “teletrabalho”, que nada mais é do que a atividade que se beneficia das novas tecnologias e pode ser desenvolvida em qualquer lugar, e não mais em apenas um ambiente, como os tradicionais escritórios. Segundo o autor, em 2015, mais de 30% da força de trabalho dos países industrializados estarão atuando em casa. Ou seja, profissionais que derivam de um novo contexto, marcado pela hegemonia da informação.

“O mundo vem se tornando complexo. Há um elemento importante na questão do local de trabalho: as dificuldades de locomoção e o caos no trânsito estão bloqueando as cidades. Com o desenvolvimento da tecnologia, muitas tarefas não pedirão a presença do profissional num dado local, podendo ele cumpri-las em qualquer lugar”, explica José Pio Martins, comentarista da rádio CBN e reitor da paranaense Universidade Positivo.

Mais do que não ter lugar fixo de trabalho, uma das características proeminentes dos novos perfis profissionais é a capacidade de trafegar entre vários campos do conhecimento. Segundo Rosa Alegria, coordenadora do Núcleo de Estudos do Futuro (NEF) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e mestre pela Universidade de Houston, novos desenhos organizacionais irão favorecer a coprodução e gente de diversas organizações coabitará em um mesmo espaço geográfico.

“Esse modelo aprisionante de trabalhar confinado dentro de um prédio congelado pelo ar-condicionado vai dando lugar a um tipo de trabalho mais arejado, mais prazeroso, menos asfixiante, em que você escolhe onde, como e com quem vai trabalhar”, diz Rosa, que complementa o raciocínio: “Empregados passarão a ser empresários com independência suficiente para formar núcleos de serviços. Os valores da colaboração, que hoje já começam a orientar os ambientes de trabalho, serão muito mais imprescindíveis e se tornarão valor estratégico”. Esses conceitos e ideias são discutidos no Núcleo de Estudos do Futuro, cujo propósito é promover o pensamento “antecipatório”. O grupo também é o ponto de conexão, no Brasil, do Projeto Millennium, uma rede mundial que estuda 15 desafios globais.

Mas como estudar o futuro econômico e profissional da sociedade sem fazer disso um exercício de adivinhação? A base do estudo prospectivo, segundo Rosa Alegria, mistura metodologia de identificação de mudanças, métodos de análise e uma boa porção de intuição. Os futuristas, diz ela, não devem nunca desempenhar o papel de profetas. O que fazem é ajudar indivíduos e organizações a se preparar para mudanças esperadas ou não.

 

Levando em conta esses métodos, a professora arrisca dizer que, no futuro, os profissionais mais velhos, hoje pouco aproveitados, vão transformar os quadros empresariais. “Pessoas com mais de 70 anos irão alavancar o valor do capital intelectual a tal ponto que profissionais mais velhos serão superdisputados no mercado. Esses irão conviver continuamente com os mais jovens, criando sínteses criativas intergeracionais em processos de inovação”, explica a especialista. Por outro lado, com as mudanças proporcionadas pela internet, em que temos acesso livre aos serviços por demanda, empregos que representam atividades intermediárias, como carteiro, corretor de imóveis e despachante, tendem a desaparecer. “E, com a automação da vida, profissões como alfaiate, arquivista, afinador de instrumentos musicais, engraxates, consertadores de vários tipos e sapateiros já estão em extinção.”

 

 

AS NOVAS CARREIRAS

Uma pesquisa realizada no começo de 2012 pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), feita em 402 indústrias de todo o Brasil, revelou nove áreas que terão grande oferta de vagas até 2020. Todas têm relação com engenharia, automação e conhecimentos de informática. Entre as atividades elencadas pela pesquisa estão supervisor de transformação em indústria de plástico, engenheiro de petróleo, técnico em sistema de informação e biotecnologista. Devido a essa ascensão de carreiras ligadas à área de energia – e à falta desses profissionais no mercado –, a Petrobrás criou o programa Profissões de Futuro, cujo objetivo é estimular a formação técnica de jovens de todo o Brasil para profissões como projetista naval e técnico químico de petróleo.

 

Engenharia e informática são duas áreas que também aparecem com bastante frequência no trabalho realizado pelo professor Carlos Antônio Leite Brandão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que compilou 81 atividades que vão demandar novos profissionais no futuro. O trabalho, iniciado em 2005, foi publicado em 2008 em livro com o título autoexplicativo de Profissões do futuro. A publicação se baseia em uma extensa pesquisa em periódicos especializados, como Science, Nature e The Economist, além de entrevistas com pesquisadores de várias áreas. Algumas dessas entrevistas estão no DVD que acompanha a edição do livro. Mas, segundo o autor, um dos aspectos mais importantes da pesquisa foi a “investigação do presente”, já que, segundo ele, o trabalho não é um exercício de especulação acerca do futuro, mas, sim, uma pesquisa sobre atividades já existentes que, de alguma forma, vão sofrer alterações, fundir-se com outras áreas, dando origem a novos ramos de trabalho.

 

Como exemplo dessa fusão de saberes, Brandão cita o cientista socioambiental, cujo trabalho se assemelha ao dos ambientalistas, mas com algumas particularidades. Segundo o professor, esse profissional seria especializado no tratamento da preservação do meio ambiente, mas também tendo em vista a promoção social e cultural das comunidades. “Outra profissão que terá grande demanda é a do lixólogo ou gestor de fluxos e resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Em breve, esse profissional será requisitado para trabalhar nos velhos satélites, que devem começar a cair e ser recolhidos em nosso planeta”, diz o acadêmico, que é ex-diretor do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares da UFMG. Outras carreiras sugeridas pela sua pesquisa são mais curiosas, como o designer de novas formas de vida ou life designer, que seria um especialista em código genético e projetos de novas formas orgânicas de vida, de tecidos, órgãos artificiais e próteses.

 

Rosa Alegria acredita que as atividades produtivas acompanham as dinâmicas dos novos mercados, ou seja, estão atreladas à economia, mas concorda que as profissões, com o tempo, vão agregando valor e novas práticas. “Algumas que existem hoje continuarão a existir no futuro, mas devem sofrer transformações com o impacto da tecnologia e dos novos sistemas de comunicação. Há estudos que apontam o seguinte: 60% dos postos de trabalho que existirão daqui a dez anos nem foram inventados ainda.”

 

A pesquisa de Brandão tenta mostrar que não é somente a economia, mas também os desafios e os problemas que são impostos à humanidade os principais fatores a estimular o surgimento de novas ocupações. “Com a expectativa de vida aumentando, a demanda por profissionais que cuidam de idosos aumentará bastante. E esse não é um problema necessariamente econômico, mas que, ainda assim, pede soluções”, exemplifica.

 

ENSINO

Algumas das novas profissões elencadas pelo professor Brandão em seu livro já ganharam o aval do ensino formal. O curso de Ciências socioambientais, por exemplo, é ofertado desde 2009 pela UFMG. No entanto, a educação no Brasil ainda é pautada pelo ensino especializado e pouco se atém a prováveis cenários futuros, o que não inclui apenas o mercado de trabalho, mas também as transformações da sociedade como um todo. “Infelizmente, as escolas, famílias e instituições, de modo geral, não se ocupam da questão do futuro. São parasitárias, mercantilistas, mecanicistas, despreocupadas com a formação subjetiva e política de jovens e crianças. Quem não estiver agindo assim, deve saber que é uma exceção à regra”, diz a filósofa e escritora Márcia Tiburi, que também é professora universitária.

 

Na visão de Rosa Alegria, o futuro e suas implicações não fazem parte de nosso ensino porque somos uma sociedade pautada pelo passado. “Ainda não se inventou um ensino olhando o futuro, que eduque crianças, com imaginação tão fértil, para imaginar futuros que desejam, construir ideias de como gostariam de viver e de como poderiam empreender novos tipos de trabalho.”

 

Uma exceção a essa mentalidade está no campo das organizações não governamentais. A Gira Sonhos – Design de Convívio é uma ONG paulistana que realiza um trabalho tendo como base os pilares da educação do futuro da Unesco. “O mundo muda constantemente e as crianças acompanham de forma fluida esse processo. Estamos a todo tempo ressignificando nossos comportamentos frente à intensa comunicação da mídia que nos impõe, na maioria das vezes, a necessidade de ter e não de ser. Nesse sentido, estamos em processo permanente, trabalhando na educação do futuro em vários contextos e atrelados a dois pilares fundamentais: ‘aprender a conviver’ e ‘apreender a ser’”, diz Claudia Pellegrino, vice-presidente da ONG, que presta assessoria em comunidades habitacionais, escolas e organizações empresariais.

 

Carlos Brandão lembra que é justamente o viés mercantilista que domina o ensino universitário hoje, fazendo com que grande parte dos cursos esteja atrelado apenas às demandas do mercado. Para ele, é papel da universidade resguardar os valores universais e culturais que se perderam no ambiente atual do mercado de trabalho e da economia. “A universidade não deve estar a reboque desses ambientes. O grande desafio é identificar cursos que reúnam condições de abrir novas perspectivas de empregabilidade, mas que tenham articulação com o nosso contexto social, científico e histórico.” ©

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Pablo Neruda

Nasce em 12 de julho… Pablo Neruda

Gosto quando te calas

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

Neruda

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Criatividade

navegando e divagando sobre criatividade…

  • “o termo pensamento criativo tem duas características fundamentais, a saber: é autônomo e é dirigido para a produção de uma nova forma” (Suchman, 1981)
  • “criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceito como útil, e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo” (Stein, 1974)
  • “criatividade representa a emergência de algo único e original” (Anderson, 1965)
  • “criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no conhecimento, desarmonia; identificar a dificuldade, buscar soluções, formulando hipóteses a respeito das deficiências; testar e retestar estas hipóteses; e, finalmente, comunicar os resultados” (Torrance, 1965)
  • “um produto ou resposta serão julgados como criativos na extensão em que a) são novos e apropriados, úteis ou de valor para uma tarefa e b) a tarefa é heurística e não algorística”(Amabile, 1983
  • “um momento em que a mente acelera o coração e cria-se uma corrente de infinitas possibilidades. O resultado é a criação dessa química.” (Cris Cirne Fernandes, 2012)
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